Um dia sem um poema é um dia desperdiçado. Ainda mais se é domingo. A ideia da primeira frase fui chupinhada de uma do Chaplin, sobre a importância de rir, que fique o crédito. Mas vamos ao poema, que é da Sophia. Chama-se
Um Dia
Um dia, mortos, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.
O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados, irreais
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.
Dos gestos agitados, irreais
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.
Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais, na voz do mar,
E em nós germinará a sua fala.
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais, na voz do mar,
E em nós germinará a sua fala.
- Sophia de Mello Breyner Andresen
Se um dia eu vencer a preguiça e voltar, volto como porco-espinho. Sem vizinhos nem inimigos, bicho tranquilo, na dele, não precisa de guarda-costas e não paga imposto de renda, que o fiscal não é bobo.
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