Overdose de poesia? Não, né? Poesia nunca é demais, mesmo neste calor. E qual é o tema, agora? Humildade, discrição, low-profile. Quem vai falar, assim, baixinho, discretamente, quase como quem pede licença para entrar na sua cabeça e plantar idéias? Quem será? Num digo, só depois de reproduzir ...
I´m nobody! Who are you?
Are you nobody, too?
Then there´s a pair of us - don´t tell!�They´d banish you, you know.
How dreary to be somebody!
How public, like a frog,
To tell your name the livelong day
To an admiring bog!
Are you nobody, too?
Then there´s a pair of us - don´t tell!�They´d banish you, you know.
How dreary to be somebody!
How public, like a frog,
To tell your name the livelong day
To an admiring bog!
Emily Dickinson (1830-1886) viveu grande parte de sua vida reclusa, ela praticamente "banished herself", bichinho-do-mato por escolha própria, a sua obra poética foi conhecida e publicada somente quando ela não estava mais por aqui. Nesse poema a artista envolve o leitor em cumplicidade, convida-o a jogar no time do "nós, discretos" contra "eles, os famosos" e exprime a sua vontade de criar beleza, sem esperar ouvir as trombetas da fama.
Vou-me arriscar a traduzir, pedindo desde já desculpas se viajei demais.
Meu nome é ninguém. E o teu?
Teu nome é ninguém, ó meu?
Então somos dois - não espalha!
Seriamos mandados pra Cornualha...
Que saco, ser alguém!
Figura pública, como um sapo,
Coaxar o nome, caprichar bem
Para o fã clube no charco.
Teu nome é ninguém, ó meu?
Então somos dois - não espalha!
Seriamos mandados pra Cornualha...
Que saco, ser alguém!
Figura pública, como um sapo,
Coaxar o nome, caprichar bem
Para o fã clube no charco.
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