quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

As poetas que me perdoem, mas hoje o espaço é de um poeta. Torga. O senhor doutor Adolpho Rocha, aka Miguel Torga escreveu esse poema em Coimbra, em 29 de maio de 1949 e o fez publicar (edição do autor, simplinha) em seu Diário V. Chama-se
Claridade Possível
Desenhei a nanquim a minha estrela.
Deve ser negro o traço que limita,
Na grande labareda, a pequenina chama
De cada um.
Pétala da rosa universal,
Ninguém a vê, sequer.
Mas é ela que eu tenho e me conduz
Através desta noite desmedida
Onde a luz
Foi brutalmente interrompida.
Eu não tenho nanquim, desenho a minha estrela com uma Bic de tinta azul. Faço com ela o traço que limita, na grande labareda, a minha pequenina chama. Besta que sou, sou um pouco mais otimista do que o Mestre Torga. Todos somos livres de escolher a cor do traço que limita a nossa estrela. Pétala da rosa universal, ninguém a vê, nem mesmo eu, mas sei que ela está lá, ela me conduz e me dá a claridade possível. O traço que limita a minha estrela é azul, what´s yours?

Sem comentários:

Enviar um comentário