quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Só de sakanági, este poema vai aqui reproduzido sem o nome do autor. Uma pista é que se trata de um homem (óbvio ululante) e português (há pistas, nos versos). Quem será que faz um inventário interrogativo e celebra em metáforas o corpo da mulher amada? Quem foi o genial sakana que escreveu isto?
De que sedas se fizeram os teus dedos,
De que marfim as tuas coxas lisas,
De que alturas chegou ao teu andar
A graça de camurça com que pisas.

De que amoras maduras se espremeu
O gosto acidulado do teu seio,
De que Índias o bambu da tua cinta,
O oiro dos teus olhos, donde veio.
A que balanço de onda vais buscar
A linha serpentina dos quadris,
Onde nasce a frescura dessa fonte
Que sai da tua boca quando ris.
De que bosques marinhos se soltou
A folha de coral das tuas portas,
Que perfume te anuncia quando vens
Cercar-me de desejo a horas mortas.
Vem cá, existe no universo dos idiomas, língua mais linda do que o português? Que privilégio (e que responsa) o nosso, de nos comunicarmos em português! E eu quase dizia o nome do poeta. Mas não digo, fica o desafio. Mas não vale perguntar ao Google...

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