Se segura, que vem mais Torga. E o cara estava deprê, doente, de mau humor, quando escreveu isto em Coimbra, em 27 de fevereiro de 1949. Mas quanta verdade ... e como ele as sabia dizer!
"Também eu acredito que a existência precede a essência. Que tudo começa quando o coração pulsa pela primeira vez, e tudo acaba quando ele desiste de lutar. Que todas as paisagens são cenários do nosso drama pessoal, comentários decorativos da nossa aventura íntima e profunda. E que, por isso, cada homem só se pode salvar ou perder sozinho, e que só ele é responsável pelos seus passos, que só as suas próprias raízes são raízes, e que está nas suas mãos a grandeza ou a pequenez do seu destino. Companheiro doutros homens, será belo tudo quanto de acordo com o semelhante fizer, todas as suas fraternidades necessárias e louváveis. Mas que será do tamanho e da qualidade de sua realização singular, da força da sua unidade, da posição que escolheu e da obra que realizou, que a consciência lhe perguntará dia a dia, minuto a minuto.
Se ao cabo de quarenta anos de vida cada um de nós olhar para a sua intra-história, que vê ele? Que são os fastos e as misérias da sua actuação pessoal que a memória assinala e retém. Que foi a abertura de um túnel na escuridão do mundo, para passar desacompanhado, que ocupou todas as suas horas significativas. Que não foram as guerras dos outros, mas as suas, que lhe deixaram cicatrizes no corpo.
Como um cego, que embora levado pela mão de alguém tacteia sempre o seu caminho, e o sente, e o vive, e o descobre, assim cada indivíduo terá de pisar a terra, solitário bandeirante das suas aventuras. Ninguém o pode ajudar, nem ninguém o pode tolher. A mãe que o pare e o coveiro que o sepulta é que limitam e condicionam a sua empresa. Mas entre as duas barreiras ele é uma semente que tem de se abrir e de se cumprir até ao último alento, desamparada entre as outras sementes que se vão abrindo a seu lado, na grande seara humana."
Se ao cabo de quarenta anos de vida cada um de nós olhar para a sua intra-história, que vê ele? Que são os fastos e as misérias da sua actuação pessoal que a memória assinala e retém. Que foi a abertura de um túnel na escuridão do mundo, para passar desacompanhado, que ocupou todas as suas horas significativas. Que não foram as guerras dos outros, mas as suas, que lhe deixaram cicatrizes no corpo.
Como um cego, que embora levado pela mão de alguém tacteia sempre o seu caminho, e o sente, e o vive, e o descobre, assim cada indivíduo terá de pisar a terra, solitário bandeirante das suas aventuras. Ninguém o pode ajudar, nem ninguém o pode tolher. A mãe que o pare e o coveiro que o sepulta é que limitam e condicionam a sua empresa. Mas entre as duas barreiras ele é uma semente que tem de se abrir e de se cumprir até ao último alento, desamparada entre as outras sementes que se vão abrindo a seu lado, na grande seara humana."
Eu avisei...
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