quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Indian Summer é uma expressão da língua inglesa que um tal de Amadeu Marques registrou no pequeno dicionário que ele costurou durante uma produtiva década, deste jeito: Indian Summer: (tb. figurado) veranico, breve sucessão de dias amenos ao final do outono (ou ao final de um processo, como o da vida). Não pode ser traduzido literalmente, porque Verão Índio (e muito menos Verão Indiano) não nos diz nada. Indian Summer é o título de um poema da Dorothy Parker, escrito justamente quando ela já não era assim uma mocinha, muito pelo contrário. Dorothy (1893-1967) estava já pelos outonos da vida e meio sem saco quando mandou este recado a quem interessar possa:

"In youth, it was a way I had
To do my best to please,
And change, with every passing lad,
To suit his theories.
But now I know the things I know,
And do the things I do;
And if you do not like me so,
To hell, my love, with you!"
Dorothy Parker, desaforada e genial, sempre! Mais este:
"Four be the things I am wiser to know:
Idleness, sorrow, a friend, and a foe.
Four be the things I´d been better without:
Love, curiosity, freckles, and doubt.
Three be the things I shall never attain:
Envy, content, and sufficient champagne.
Three be the things I shall have till I die:
Laughter and hope and a sock in the eye."

Assino em baixo, menos o soco no olho, que isso dói!

É bom avisar que a expressão "make passes" não pode ser entendida à letra. Não se trata de "fazer passes", nem no futebol, nem no basquete, nem no centro espírita, e também não emitir bilhetes para passar de um lugar para o outro. When a man makes a pass at a woman ele simplesmente tenta convidá-la para o jogo do amor, aplica na moça a popular cantada. E aquele "seldom" é sinônimo de "rarely" : raramente. Agora fica mais fácil entender o que a Dorothy (que quando jovem usava óculos) disse naquelas duas linhas e porque ela, já no seu Indian summer, passou a usar lentes de contato.


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