E para você que achava que ia escapar um dia sem poesia, sinto muito, perdeu, playboy. Um dia sem um poema é uma pena. Mas isso não rima! Não rima, mas é verdade. Então vamulá:
Vidro Côncavo
Tenho sofrido poesia
como quem anda no mar.
Um enjoo.
Uma agonia.
Sabor a sal.
Maresia.
Vidro côncavo a boiar.
como quem anda no mar.
Um enjoo.
Uma agonia.
Sabor a sal.
Maresia.
Vidro côncavo a boiar.
Dói esta corda vibrante.
A corda que o barco prende
à fria argola do cais.
Se vem onda que a levante
vem logo outra que a distende.
Não tem descanso jamais.
A corda que o barco prende
à fria argola do cais.
Se vem onda que a levante
vem logo outra que a distende.
Não tem descanso jamais.
Quem deu essa aula foi o Professor Rómulo de Carvalho, que escrevia Poesia sob o nome de António Gedeão. Imenso poeta em língua portuguesa, praticamente desconhecido no imenso Brasil.
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