"Minha Pátria é a língua portuguesa." (Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa, in O Livro do Desassossego)
E porque hoje é feriado, terça-feira de Carnaval e não podemos passar um único dia, útil ou inútil, sem dar uma boa risada ou sem ler um grande poema, aqui vai uma maravilha escrita pelo português José Fontinha, mais conhecido como Eugénio de Andrade (1923-2005). Eugénio, portuense, com acento agudo e não com chapéu.
Urgentemente
É urgente o amor
É urgente um barco no mar
É urgente um barco no mar
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
Eugénio de Andrade, in "Até Amanhã"
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